PUTREFAÇÃO
É lamentável, mas o que fazer diante do trator avassalador dessa turma criptofascista, a que propala a toda hora, pelos vinte ventos, a emergência da “qualidade de vida” e da “autoestima”, com suas roupinhas de ginástica e comidinhas orgânicas, manada que rouba o sossego dos parques? Arautos neuróticos da instrumentalização de nossos corpos falíveis.
Pregam, na verdade, a necessidade de um escravo melhor nas atividades de produção: mais durável, produtivo, sadio e eficiente – eles próprios. Mas não sabem disso; dizem-se “pela vida”, “do bem”. É melhor não contrariar. Morrem atropelados na avenida Paulista com suas bikes de US$ 5.000. São burros, não sabem por onde andam. Soldados da governança corporativa. Essa praga do apocalipse. Essa turma faz parte de um grupo maior que chamo aqui de instrumentalizadores. Têm como herói Steve Jobs, porque este fez muito dinheiro. Babam com o “bom” sucesso e, claro, porque tornou-se célebre embora fosse um monstro em sua conduta pessoal. Mas isso não interessa. Importa são as maquininhas que fazem a alegria dessa garotada imbecil, em permanente e doente conectividade.
A digressão tem seu motivo de fundo: a instrumentalização difusa que a tudo envenena (a do corpo, a do sexo, a dos alimentos etc.). A que me importa aqui, entre tantas outras, é aquela que assassina a linguagem em nome de uma comunicação fácil, rápida, prática e eficiente. “Comunicar” é o que interessa e pronto – a palavra apropriada seria “conectar”, que tem laivo de tecnologia em seu DNA. Hum... É burrice e ignorância. Desconhecem o amplo alcance da linguagem em nossas vidas, sua relação simbiótica (para não dizer sinestésica) com o pensamento e, em consequência, com o conhecimento. Nem suspeitam da diferença entre informação e conhecimento. Quem se expressa mal verbalmente pensa mal e está fadado a ficar à margem do conhecimento. Assim, a incapacidade absoluta para a abstração. Não vão além da aritmética pedestre. Adição e subtração já é muito para suas ervilhinhas cerebrais. Daí a tentação pela força bruta para resolver conflitos. Engravatados, com camisetinhas pretas, jeans e tênis ou com um trezoitão na mão. Fazem parte da mesma turma. Presos para sempre da pobreza de espírito, da ignorância e da boçalidade. Resta-lhes consumir.
Bem, vamos deixar claro uma coisa: não estou a defender que todos almejem tornar-se Machados de Assis. Uma linguagem rica e variada não passa necessariamente pela língua formal e muito menos pelo estilo alambicado das belas letras ou obscuro da academia. Mas “porra, caralho, mano!”, clichês sem fim e a linguagem pasteurizada dos meios de comunicação... Não dá! Não levam a lugar nenhum. Ah, espere aí, levam sim: ao centro de compras mais próximo.
Tomo, apenas como ilustração de nossos tempos infelizes, recente manifestação do tolo parlamentar Cândido Vaccarezza, por SMS, em mensagem para o deslumbrado (e espertalhão) governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. A falsa pérola é esta: “A relação com o PMDB vai azedar na CPI, mas não se preocupe você é nosso e nós somos teu”. Por exemplo, você com teu não dá liga, mas deixa pra lá. O jornalista Fernando Rodrigues (Folha de S. Paulo, 19.05.2012) emenda com propriedade e ironia: “O petista poderia muito bem ter escrito ‘é nóis, mano’ ou ‘tá tudo dominado’. Seria o mesmo”. Todos modos de se expressar da bandidagem que tomou conta do país. F.R. foi sutil, que ele não é bobo.
Num uso utilitário (instrumental) da linguagem, todas as expressões se equivalem, a do parlamentar-cavalgadura e aquelas dos bandidos de todo dia. A mesma ossatura, mas nenhuma carne. Seria pedir muito dessa “gentinha”. Na grosseria das maneiras, na linguagem rastejante, a mesma visão apequenada do mundo, das relações humanas e da política. A mesma postura infecta. Deveriam partilhar da mesma cela, dividir o mesmo catre e o sujo vaso sanitário.
Justificar o maltrato à língua em nome da eficácia comunicativa (conectiva, putz!) que, por si, é duvidosa, é uma ação irmã da instrumentalização das pessoas, do corpo e das relações sociais em amplo espectro. O mau-trato à linguagem é indício discreto de inúmeros e nefastos maus-tratos. O homem como coisa, vulnerável, a qualquer hora, ao descaso, ao abandono e ao assassinato. Triste Brasil. maio de 2012
quinta-feira, 14 de junho de 2012
quinta-feira, 3 de maio de 2012
SOBRE O AMOR
Você não deve jogar
Sobre mim o peso,
Sobre mim o peso
De seu amor.
Brotos novos de minhas plantas
Querem a luz.
Não,
Não faça isso:
Não jogue sobre mim
O peso
De meu próprio amor,
Que busca luz. Não busca ninguém.
Não quero ninguém.
Meu amor quando adormece,
Esquece, afoga em si.
Emudece nos sonhos. E
Deixo de existir.
Não gosto do amor.
O amor é uma encrenca
Remunerada por hora,
A vida inteira.
As plantas não.
Pergunte aos passarinhos,
Que, como eu, bem-te-vi,
Em vez de amar, passaram.
Você não deve jogar
Sobre mim o peso,
Sobre mim o peso
De seu amor.
Brotos novos de minhas plantas
Querem a luz.
Não,
Não faça isso:
Não jogue sobre mim
O peso
De meu próprio amor,
Que busca luz. Não busca ninguém.
Não quero ninguém.
Meu amor quando adormece,
Esquece, afoga em si.
Emudece nos sonhos. E
Deixo de existir.
Não gosto do amor.
O amor é uma encrenca
Remunerada por hora,
A vida inteira.
As plantas não.
Pergunte aos passarinhos,
Que, como eu, bem-te-vi,
Em vez de amar, passaram.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
PARA LEMBRAR
"Os problemas no Brasil são sempre apresentados de maneira abstrata, principista e apriorista. Portanto, o coeficiente de análise empírica, de exame concreto de realidades verificáveis é muito pequeno. (...) Falam de noções abstratas (...). O resultado é que se restaurou no Brasil o estilo escolástico de debate. Uma das melhores definições de escolástica como estilo retórico diz que ela era uma maneira precisa de falar de coisas vagas". José Guilherme Merquior
"Os problemas no Brasil são sempre apresentados de maneira abstrata, principista e apriorista. Portanto, o coeficiente de análise empírica, de exame concreto de realidades verificáveis é muito pequeno. (...) Falam de noções abstratas (...). O resultado é que se restaurou no Brasil o estilo escolástico de debate. Uma das melhores definições de escolástica como estilo retórico diz que ela era uma maneira precisa de falar de coisas vagas". José Guilherme Merquior
quarta-feira, 18 de abril de 2012
"TÔ NEM AÍ"
"O homem não é antes para ser visto depois, mas ele é o ser cuja essência é existir para o outro". J. P. Sartre
Talvez seja um juízo algo hiperbólico, ainda assim...Adequar o comportamento ao espaço e ao tempo devidos é requisito incontornável da vida civil. A hiperconectividade digital de nossos tempos é o passo para sua degradação. A pessoa nunca está onde está seu corpo. Este divórcio perverso é prenúncio de muita coisa grave. Assim, a inadequação é regra em nossos dias. E tudo fica pulverizado, a começar das relações pessoais - agora não-presenciais.
Daí seguem o mau comportamento nos locais públicos (a rua, o restaurante, o cinema, a sala de aula etc.). São os chimpanzés de dedo no teclado e olhos na telinha, sem enxergar nada em volta. O outro empírico é, então, um estorvo para os egos inflados em tamanhos jamais vistos.
A vida civil que supõe o respeito ao outro (ora, este precisa sempre ser visto e considerado) caminha celeremente para a derrocada. Ninguém está onde parece estar. O corpo físico não passa de um espectro. O professor quando exige respeito e pede atenção está sendo apenas ingênuo e antiquado. Em tempos de barbárie, é outro o proceder. Ou, melhor, é desaparecer.
Visões Afins:
Stephen Marche em “Is Facebook Making us Lonely?” (apud João Pereira Coutinho):
“A internet, e as redes sociais que ela comporta, é apenas um instrumento para, não um substituo de. O desafio, leitor, não está em quebrar o aquário. Está em sair dele de vez em quando.
Sair. Desligar. Não estar disponível. Ou como escreve S. Marche, ‘termos a oportunidade de nos esquecermos de nós próprios’.
Eis, no fundo, a observação mais luminosa do ensaio: a nossa constante disponibilidade para os outros é apenas uma manifestação mais profunda de nosso insuportável narcisismo. E o narcisismo, como sempre, nasce de uma insegurança que procuramos preencher com o culto doentio do ego.
Pensamos que somos tão imprescindíveis que temos de estar presentes 24 horas por dia na vida alheia. E vice-versa: pensamos que somos tão importantes que os outros têm de estar permanentemente disponíveis para nós (J.P. Coutinho).
Norman Doidge (O Cérebro que se Transforma), psiquiatra canadense, em entrevista:
A interatividade do computador altera o cérebro para o bem ou para o mal?
Desconfio que mais para o mal do que para o bem. Os equipamentos eletrônicos são tão compatíveis com o nosso cérebro, que também é movido a eletricidade, que alteram a nossa atenção, tornando-nos viciados em tecnologia. O vício é um fenômeno plástico e não se aplica só às drogas. Pessoas se tornam viciadas em corrida, em jogo, em compras, em paixões. O homem supõe que controla os dispositivos incríveis que criou. Meu temor é que esteja acontecendo o contrário: todo esse aparato tecnológico é que está nos reprogramando. (Veja, 21.XII.2011).
"O homem não é antes para ser visto depois, mas ele é o ser cuja essência é existir para o outro". J. P. Sartre
Talvez seja um juízo algo hiperbólico, ainda assim...Adequar o comportamento ao espaço e ao tempo devidos é requisito incontornável da vida civil. A hiperconectividade digital de nossos tempos é o passo para sua degradação. A pessoa nunca está onde está seu corpo. Este divórcio perverso é prenúncio de muita coisa grave. Assim, a inadequação é regra em nossos dias. E tudo fica pulverizado, a começar das relações pessoais - agora não-presenciais.
Daí seguem o mau comportamento nos locais públicos (a rua, o restaurante, o cinema, a sala de aula etc.). São os chimpanzés de dedo no teclado e olhos na telinha, sem enxergar nada em volta. O outro empírico é, então, um estorvo para os egos inflados em tamanhos jamais vistos.
A vida civil que supõe o respeito ao outro (ora, este precisa sempre ser visto e considerado) caminha celeremente para a derrocada. Ninguém está onde parece estar. O corpo físico não passa de um espectro. O professor quando exige respeito e pede atenção está sendo apenas ingênuo e antiquado. Em tempos de barbárie, é outro o proceder. Ou, melhor, é desaparecer.
Visões Afins:
Stephen Marche em “Is Facebook Making us Lonely?” (apud João Pereira Coutinho):
“A internet, e as redes sociais que ela comporta, é apenas um instrumento para, não um substituo de. O desafio, leitor, não está em quebrar o aquário. Está em sair dele de vez em quando.
Sair. Desligar. Não estar disponível. Ou como escreve S. Marche, ‘termos a oportunidade de nos esquecermos de nós próprios’.
Eis, no fundo, a observação mais luminosa do ensaio: a nossa constante disponibilidade para os outros é apenas uma manifestação mais profunda de nosso insuportável narcisismo. E o narcisismo, como sempre, nasce de uma insegurança que procuramos preencher com o culto doentio do ego.
Pensamos que somos tão imprescindíveis que temos de estar presentes 24 horas por dia na vida alheia. E vice-versa: pensamos que somos tão importantes que os outros têm de estar permanentemente disponíveis para nós (J.P. Coutinho).
Norman Doidge (O Cérebro que se Transforma), psiquiatra canadense, em entrevista:
A interatividade do computador altera o cérebro para o bem ou para o mal?
Desconfio que mais para o mal do que para o bem. Os equipamentos eletrônicos são tão compatíveis com o nosso cérebro, que também é movido a eletricidade, que alteram a nossa atenção, tornando-nos viciados em tecnologia. O vício é um fenômeno plástico e não se aplica só às drogas. Pessoas se tornam viciadas em corrida, em jogo, em compras, em paixões. O homem supõe que controla os dispositivos incríveis que criou. Meu temor é que esteja acontecendo o contrário: todo esse aparato tecnológico é que está nos reprogramando. (Veja, 21.XII.2011).
segunda-feira, 26 de março de 2012
PRESUNÇÃO
Na longa noite de algum tempo,
Se assim fosse:
A luz da cozinha que se esquecesse acesa;
Um garfo que se quedasse abandonado sobre o prato;
O açúcar sujo na xícara, no fundo da pia;
O batom e os grampos que se repousassem sobre a penteadeira;
As sandálias azuis mal arranjadas num canto;
As toalhas desalinhadas;
Longos fios de cabelos em inesperada visita;
Uma torneira mal fechada
E o vestido de ontem na beira da cama
Com a beleza que ensaiasse a forma
Que o recheava.
Quisera,
Pudera se mesmo assim fosse
Na minha longa noite sem sonhos
E sem manhãs.
Na longa noite de algum tempo,
Se assim fosse:
A luz da cozinha que se esquecesse acesa;
Um garfo que se quedasse abandonado sobre o prato;
O açúcar sujo na xícara, no fundo da pia;
O batom e os grampos que se repousassem sobre a penteadeira;
As sandálias azuis mal arranjadas num canto;
As toalhas desalinhadas;
Longos fios de cabelos em inesperada visita;
Uma torneira mal fechada
E o vestido de ontem na beira da cama
Com a beleza que ensaiasse a forma
Que o recheava.
Quisera,
Pudera se mesmo assim fosse
Na minha longa noite sem sonhos
E sem manhãs.
sexta-feira, 23 de março de 2012
ECONOMIA
Como sou um caminhante convicto (mas não fanático), observo muito o chão e os seres que o habitam, ainda que aos percalços; em São Paulo, para andar nas calçadas, é preciso ser um pouco lebre. Pois bem, têm me chamado a atenção as guimbas atuais. Elas são a expressão da sovinice moderna - bitucas mesquinhas.
Explico: há certo tempo, eram generosas. Qualquer um, em petição de miséria, poderia delas se servir, numa espécie de duplo uso para os cigarros. Ou: um jeitinho no combate à desigualdade social ao rés do chão. Percebam o "dó de peito" daquelas guimbas e cigarros: cumpriam uma função social e atendiam ao meio ambiente ( o duplo uso). Não é lindo?! Mas andei pensando mais.
Economistas não são mamíferos confiáveis, como não são suas brutas estatísticas cuja origem ignoramos. Seus prognósticos são uma "piada pronta", nunca os leve a sério. E o que pensar de seus indicadores econômicos? Entendeu agora por que suas falas e escritos são ilegíveis? São esotéricos e você é um apedeuta. Avancei na reflexão.
As guimbas são os melhores e mais confiáveis indicadores econômicos, basta "lê-las". E o que elas "dizem" sobre os dias que correm? Ouça com carinho: "A grana anda tão curta que não é conveniente desperdiçar cigarros (ignore os doidinhos do antitabagismo). Fumar é até o fim, e que se danem os miseráveis, tolos vigilantes do chão das ruas. As bitucas de hoje são a coisa mais triste que se pode ver nas calçadas paulistanas. O moderno extremado não queima os cigarros, queima logo os mendigos.
Como sou um caminhante convicto (mas não fanático), observo muito o chão e os seres que o habitam, ainda que aos percalços; em São Paulo, para andar nas calçadas, é preciso ser um pouco lebre. Pois bem, têm me chamado a atenção as guimbas atuais. Elas são a expressão da sovinice moderna - bitucas mesquinhas.
Explico: há certo tempo, eram generosas. Qualquer um, em petição de miséria, poderia delas se servir, numa espécie de duplo uso para os cigarros. Ou: um jeitinho no combate à desigualdade social ao rés do chão. Percebam o "dó de peito" daquelas guimbas e cigarros: cumpriam uma função social e atendiam ao meio ambiente ( o duplo uso). Não é lindo?! Mas andei pensando mais.
Economistas não são mamíferos confiáveis, como não são suas brutas estatísticas cuja origem ignoramos. Seus prognósticos são uma "piada pronta", nunca os leve a sério. E o que pensar de seus indicadores econômicos? Entendeu agora por que suas falas e escritos são ilegíveis? São esotéricos e você é um apedeuta. Avancei na reflexão.
As guimbas são os melhores e mais confiáveis indicadores econômicos, basta "lê-las". E o que elas "dizem" sobre os dias que correm? Ouça com carinho: "A grana anda tão curta que não é conveniente desperdiçar cigarros (ignore os doidinhos do antitabagismo). Fumar é até o fim, e que se danem os miseráveis, tolos vigilantes do chão das ruas. As bitucas de hoje são a coisa mais triste que se pode ver nas calçadas paulistanas. O moderno extremado não queima os cigarros, queima logo os mendigos.
terça-feira, 20 de março de 2012
FEVEREIRO E MARÇO
Três horas da manhã. Faltavam limões. Todas as calçadas e calcinhas estavam molhadas. Chovia nas solas. Dois abacates presenteados e muita fome. Uma mulher, quatro uísques e pouca literatura.
Não gostava mesmo da esquina depois da qual o piso se inclina e uma ladeira perversa se forma a turvar-lhe o horizonte, a moer-lhe o joelho esquerdo. Odiava que sua atenção se prendesse apenas aos pés e pernas. Era um homem de largas luas e aliterações obsessivas. Literatura vagabunda e estômago desorientado.
Cobriu o pijama com as roupas da cadeira. Olhou aquele corpo na cama, apagou as luzes, trancou a porta e se movimentou para os elevadores. Quase no térreo, viu: ainda portava um par de chinelos e um pé de meias furado. Voltar? Não, ir assim mesmo. Quem é que liga? Argh! Dois limões e uma ladeira. A passagem para março de um ano ainda interminável. Puta que pariu!
Três horas da manhã. Faltavam limões. Todas as calçadas e calcinhas estavam molhadas. Chovia nas solas. Dois abacates presenteados e muita fome. Uma mulher, quatro uísques e pouca literatura.
Não gostava mesmo da esquina depois da qual o piso se inclina e uma ladeira perversa se forma a turvar-lhe o horizonte, a moer-lhe o joelho esquerdo. Odiava que sua atenção se prendesse apenas aos pés e pernas. Era um homem de largas luas e aliterações obsessivas. Literatura vagabunda e estômago desorientado.
Cobriu o pijama com as roupas da cadeira. Olhou aquele corpo na cama, apagou as luzes, trancou a porta e se movimentou para os elevadores. Quase no térreo, viu: ainda portava um par de chinelos e um pé de meias furado. Voltar? Não, ir assim mesmo. Quem é que liga? Argh! Dois limões e uma ladeira. A passagem para março de um ano ainda interminável. Puta que pariu!
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