quarta-feira, 23 de setembro de 2015
A CHEGADA
Nestas tuas veias cansadas,
Já corre querosene.
Nem suspeitavas
Que o teu foi ouro,
Hoje é azinhavre.
Mordes os lábios
Na pura desistência.
Falas pouco de puro
Tédio.
O horizonte cabe
Nas mãos de cada adeus acanhado.
Em tua camisa,
Faltam botões,
A sola furada
De teus sapatos
Olha para o céu nímio,
Que andar é coisa de ganso.
Dorme teus sonhos
No veludo que, um dia,
Foi teu.
Ainda há tempo,
É pouco,
Mas é teu.
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
ELE MESMO
Se não fosse a toalha
A dizer-lhe o que bem
Desejava ouvir,
Almoçava sozinho.
Se não fosse o espelho
A revelar-lhe o outro
No mesmo,
Não via ninguém.
Se não fossem os sapatos
A calçar-lhe os pés
Caminhantes,
Andava sozinho.
Só, de fato,
Somente em ônibus
Quando levado para incertos destinos.
Companhia é coisa de loucos.
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Foi logo atritar-se com as portas.
Começou pelas dobradiças. Detestava seus ruídos. Passou pelas fechaduras;
emperradas sempre. E as pinturas descascavam. Xingou e passou sabão. Não
satisfeito, emudeceu-se. As portas, em silêncio, nervosas, nunca mais se
abriram. Ele, então, de raiva, fechou todas as janelas, avisou todas as
torneiras, tirou o fone do gancho, apagou as luzes e adormeceu pela última e
derradeira vez. A conspiração fora desmascarada.
E as noites.
O que perdi de mim
Esteve aí
Entre corredores vazios.
A que me alcei
Ficou entre nuvens,
Entre sonhos,
Largado nas mãos.
Então,
Tracei nos dedos
Um cajado, um caminho.
Cego, fui bebendo
As águas que ainda
Pingavam sobre os pianos.
Com insistência e pressa,
As formigas atravessaram os lençois
Sem me perguntar, sem conversar.
E as noites.
Assinar:
Postagens (Atom)






