terça-feira, 28 de julho de 2009

PLATITUDES FUNCIONAIS

1. Já é inútil dizer: a escolha é de quem escolhe como a liberdade é de quem se liberta. Não temos nada a ver com isso, mesmo que discordemos dos motivos. De outro modo: exatamente porque discordamos, ele deve ser livre para escolher seu próprio caminho, ciente e responsável pelas consequências. Como devem todos.

2. Já é sabido: informação não é conhecimento. A primeira é cumulativa e não é digerível; o segundo incorpora-se ao organismo e faz-se modo de pensar e se reproduz em criação intelectual permanente. A informação é infecunda. Como um vírus, só é fértil quando implanta-se na dimensão do conhecimento. Acessória. Em sua própria condição, fica ali inerte. Mortinha.
Certos sítios da Internet que o digam. Internautas, perdoem-me a metonímia.

3. A mocinha de cabelo engomado em gel e "piercing" nas fuças vai fazer psicologia ("me interesso muito-muito no que vai no íntimo das pessoas, sabe?") e certo discurso a aguarda ansioso pela esperada adesão: truismos atolados em clichês sistematizados e envoltos em nomenclaturas obscuras, traduzidas do inglês ou francês, e, portanto, intimidatórias. Há muito desvelados por séculos da melhor literatura. Assim, produz-se uma batelada de panaceias, celebrizadas pela imbatível "auto-estima", uma espécie de chiclé na boca da escravaria intelectual.

Um comentário:

Serrer disse...

2. continuando: aquele livro na estante, ao alcance da mão, também é matéria morta, mortinha... enquanto permanece na estante. Os caracteres ali impressos nada mais são que informação (dado). Na Internet se transformam em zeros e uns. A informação necessária (necessária porque é aquela que se busca, mesmo sem saber) quando entra pelos olhos do homem se transforma em conhecimento. Sempre. Mesmo quando a atividade intelectual não é explícita, ou melhor, quando pensamos que não há atividade intelectual. Não se trata aqui de glorificar um e demonizar outro. A informação é externa ao homem. O conhecimento só existe no homem. O disco rígido de um servidor da Internet e o livro são apenas suporte para o registro de informações. Quando acessadas/ lidas, podem se transformar em conhecimento. Vai depender do internauta/leitor.