terça-feira, 1 de agosto de 2017



PING-PONG
                                                         A Izolda    

A bolha que, do nada, nos dependura,
Vazia em si, pele fina cobrindo ocos.
A gota que não pinga nunca
Enquanto vivos estivermos.
Furá-la nos reduziria à existência de escravos;
Que se reproduzem na inutilidade                                                           Mas ela, ao longo, infla
Até o insuportável.
Então, como gatos apavorados,
Consideramos pular da janela.
Como o jogo de ter nascido é este,
Não aceitá-lo. Jogo imposto. Nada.
O verdadeiro jogo nos cabe criá-lo.
A Arte, seja qual for.
E deixarmos o legado da dor
Que, de qualquer jeito, já sabíamos.
Tolerar, deixar em planície,
Serenar nas árvores ou em suas mudas.
Agora é com eles seu novo dar e dor,
Descendências de mamíferos.
Furá-la nos reduziria à existência de escravos;
Que se reproduzem na inutilidade
De existir. Sentido?
Insisto: a Arte,
Quaisquer: a do ferreiro,, a da bailarina, a bolinha branca
No jogo vazio com a vida,
No feliz aniversário que enfiamos no bolso furado.
A manhã que nos agasalha a cada dia
E a noite que nos ensombrece.
Puta que pariu!


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