quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Variadas Citações

JORGE L. BORGES
“(...) não sei por que dizem que careço de sentimentos. Ou que em minha vida foram negadas certas experiências fundamentais. Suponho que se refiram ao amor. Pensam que não conheci o amor e se equivocam. Posso afirmar que vivi enamorado. O primeiro amor (ideal, é claro) de minha vida foi uma atriz, Ava Gardner. Costumava ver seus filmes duas vezes por dia. Logo que a sessão terminava, desejava a chegada do dia seguinte para voltar a vê-la. O amor exige provas. Provas sobrenaturais.”

ORSON WELLES.
“Como os filmes mudos - uma vítima da inquietação tecnológica. O rádio ainda funciona de certa maneira, lógico; mas os filmes mudos foram varridos da face da terra. Isso é como largar a aquarela porque alguém inventou a pintura a óleo. E o preto-e-branco está indo pelo mesmo caminho.”
“ A câmera é um olho. E um ouvido. Leva você para onde for colocado.. O teatro está onde você é colocado.”
“Não é que o mundo seja pequeno, é que a História é muito curta. Quatro ou cinco velhos bem velhos poderiam dar as mãos e levar você até Shakespeare. Daria para pôr todos os papas, desde São Pedro, aqui dentro deste restaurante - e ninguém ficaria esperando mesa.”
“O pior é aquele primeiro momento, quando eles acendem as luzes e todo mundo se flagra sentado junto num salão vazio. Um cinema é sempre isso, sem tirar nem pôr. E não há nada no palco, a não ser um alto-falante atrás da tela. Não importa quanta gente haja, continua sendo um salão vazio.”

JEAN-CLAUDE CARRIÈRE
Para uma possível definição de Cinema:
“Tudo o que os realizadores põem nos filmes e que nós não vemos. Tudo o que eles não põem nos filmes, mas que nós vemos.”

GORE VIDAL
“(...) nossos roteiristas e diretores costumam saber tão pouco sobre a história do país quanto sabe a platéia, de modo que, quando ambientam uma história no passado, os personagens são exatamente como nós, exceto pelo fato de estarem fantasiados. Mas o passado é um país diferente, e para fazê-lo assumir algum tipo de vida dramática é necessária uma capacidade para a qual não existe palavra na língua inglesa. Foi apenas no século XVIII que um alemão, J. G. Herder, cunhou o termo “Einfhlen” – o ato de abrir caminho até o passado, não segurando um espelho diante dele, mas atravessando o espelho para ingressar naquele mundo que nos é estranho.”

PIERRE BOULEZ
“ Ah! O pluralismo...Nada se compara a ele como remédio para a incompreensão. Gostem, portanto, cada um em seu canto, e vocês se amarão uns aos outros. Sejam liberais, gentis com os gostos dos outros, e a recíproca será verdadeira. Tudo vai bem, nada vai mal; não há valores, mas há prazer. Esse discurso, por mais liberador que se pretenda, reforça, pelo contrário, os guetos, reconforta a boa consciência de estar num gueto, sobretudo se, de tempos em tempos, se vá espiar o gueto dos outros. A economia está aí para nos lembrar disso, para o caso de nos perdermos nessa insípida utopia.”

CONTARDO CALLIGARIS
“Numa sociedade democrática moderna, o policiamento que funciona melhor é terapêutico-higienista. Pois ele faz apelo a valores reconhecidos como objetivos: bem-estar e saúde. Também assegura a paz das consciências: somos livres, pois apenas regulamentamos doenças e reprimimos por generosidade samaritana. Começa assim: há coisas proibidas porque são nocivas. Acaba assim: há coisas que são ditas nocivas para serem proibidas.”

"As flores dos arranjos logo murcharão, mas o importante é que elas desabrochem na hora efêmera da festa, mostrando o esplendor de cada flor e a harmonia do arranjo. Como um arranjo, uma vida não se justifica por sua duração, nem pela lembrança, nem pelo aplauso dos outros, ela se justifica por sua harmonia intrínseca."

DOUGLAS HORTON (apud)
“Certa ocasião, uma garotinha fez uma lista que intitulou: ‘As doze cousas de que gosto mais, sem contar pessoas’ (1942).
São as seguintes:
1. Barulho de folha seca quando a gente pisa;
2. Roupa limpa no corpo;
3. Água enchendo a banheira;
4. O friozinho do sorvete;
5. Vento fresco quando está fazendo calor;
6. Subir nalgum lugar e olhar pra baixo (trás);
7. Mel na boca da gente;
8. Cheiro de farmácia;
9. Saco de água quente na cama;
10. Criancinha rindo;
11. Uma cousa que a gente sente quando canta;
12. Filhotes de gato.
-Extraído do livro “ The Art of Living Today”

FERNANDO NOVAIS
“Os historiadores têm discutido há bastante tempo o etnocentrismo, mas raramente o anacronismo. Para reconstituir determinado segmento do passado, o historiador precisa esquecer o que ele sabe que aconteceu depois. O historiador incorre no anacronismo quando ele imputa aos protagonistas o conhecimento sobre os acontecimentos posteriores. A reconstituição se torna uma ‘profecia do passado’.”

PASCAL BRUCKNER
“O que em geral torna tão chatos os tratados sobre a felicidade é que eles transmitem uma única e mesma mensagem: contentai-vos com vossa sorte, moderai vossos desejos, desejai o que tendes e, assim, tereis o que desejais; sabedoria tão resignada quanto insípida. Não há nada pior do que essas pessoas eternamente alegres, em todas as circunstâncias, que têm sempre uma expressão radiante no rosto. A felicidade não constitui apenas, com o mercado da espiritualidade, a maior indústria da nossa época, é também, e com muita exatidão, a nova ordem moral. Nada de estranho se a depressão se instala quando este hedonismo é maltratado, por pouco que seja, pelas realidades da vida.
(...) A ‘aposentadoria’ divina é uma boa e uma má notícia. É a chance para que a independência humana se desenvolva sem nenhuma tutela, mas é também o peso do cotidiano, que é preciso carregar com grande esforço e sem ajuda. Ao sublime medieval, sucede-se o trivial moderno, ao grande absoluto, o pequeno relativo. Terrível vertigem de um homem, subitamente alijado de seus entraves e que sofre mais por causa de um desencanto que de uma desorientação; ele se vê livre, mas se sente pigmeu. Com essa liberação nasce também a banalidade, isto é, a imanência total da humanidade abandonada a si própria.” O resultado é a emergência de uma transcendência “horizontal”, que se traduz por uma eterna busca do prazer. “Basta que eu não goze plenamente o que devo gozar para estragar minha vida. Isso tem duas conseqüências trágicas: a infelicidade começa no mesmo instante em que cessa o bem-estar. Como o encantamento depende apenas de nossa fruição, nós nos consideramos culpados de nossos infortúnios. (...)
O cotidiano compõe um nada agitado, ele nos esgota por suas contrariedades, nos desgosta por sua monotonia. Não me acontece nada, mas esse nada ainda é demais: eu me disperso em mil tarefas inúteis, em formalidades estéreis, em vãos falatórios que não fazem uma vida, mas bastam para me extenuar; isso é o que nós batizamos com o nome de estresse, essa corrosão contínua no interior da letargia que nos vai comendo aos bocadinhos, dia após dia. Para combater essa vacuidade, recorremos a mil expedientes, a qualquer coisa que nos forneça uma história: a onda do corpo, o hedonismo triunfante, o sensualismo militante, a meditação transcendental, dietas, o budismo e o dalai-lama, a rejeição ao sofrimento e ao medo da morte, o horóscopo, a meteorologia...”

OTÁVIO FRIAS FILHO
“Esse é o enigma do Brasil, entender como terá sido possível que, numa das sociedades mais iníquas do mundo, a enorme violência latente seja incapaz de se plasmar em formas públicas, expressando-se quando muito como banditismo generalizado. Nossa tendência é naturalizar a história: é o clima, são as elites ‘malvadas’, é destino. Todas as ‘elites’ apropriam e acumulam com idêntica ferocidade. É a capacidade de resistência popular, expressa na forma de periódicas sublevações sangrentas, que impõe restrições à elite, civilizando-a.”

TOSTÃO
“A franqueza, coerência, racionalidade e outras qualidades deveriam ser buscadas por todos. Mas certas pessoas são tão coerentes, tão racionais, tão francas, tão exatas, tão operatórias, tão organizadas e tão normais que essas virtudes se tornam problemas. São os normopatas.”



BERNARDO CARVALHO

“Uma jovem que encontrei em São Petersburgo, e que já tinha descido aos infernos nos seus 30 e poucos anos, me corrigiu quando falei de um mundo terrível: ‘ O mundo não é terrível. É o que é. Já está na hora de você perder um pouco de sua inocência.’ ”

Um comentário:

Hugo Jorge disse...

Gostei do seu blog.

Sugiro a leitura do artigo "Porquê meditar?"

http://dr-hugo-jorge.blogspot.com/2007/11/porqu-meditar.html